AYMERIC PICAUD e o CÓDEX CALIXTINUS
O LIBER SANCTI JACOBI

Famosa compilação medieval, fonte que os eruditos vão em busca de informação. Chamado também de CODEX CALIXTINUS por que sua autoria foi falsamente atribuída ao Papa Calixto II que foi muito devoto de Santiago. Foi redigido entre 1139 e 1185 e actualmente existem 6 (seis) cópias do manuscrito conservadas em Compostela, Londres, Paris, Roma, Ripoll e Alcobaça. Abrange uma notável colecção de matérias em seus cinco livros.

O PRIMEIRO é uma antologia de hinos e sermões; o SEGUNDO, uma compilação de milagres realizados por Santiago; o TERCEIRO, outra colecção de histórias relacionadas com a vida do Apóstolo e o descobrimento de sua tumba; o QUARTO compreende a história de Carlomagno e o seu sobrinho Roldan, mitificando as campanhas que ambos empreenderam na Espanha no século VIII. O QUINTO livro, o mais importante para nós, é um Guia de Peregrino, considerado o primeiro guia turístico da história, pois descreve as rotas do Caminho na França e Espanha. Inclui um pormenorizado e exacto estudo da Rota Jacobea, com uma visão muito particular - e nada favorável, certamente - dos povos ibéricos que atravessavam o Caminho, refletida em uma grande quantidade de detalhes anedóticos, descrições de povos, avisos de perigos,um sem fim de conselhos e recomendações para os peregrinos, que actualmente são o melhor testemunho para o estudo daquele período histórico, que esta conservado na biblioteca da catedral compostelana..

Aymeric Picaud, monje nascido na localidade de Poitou - Parthenay-le-Vieux, depois de ter peregrinado a cavalo em 1123, escreveu no ano de 1130 o Códex Calixtinus, também chamado "Liber Sancti jacobi".

Picaud dividia o itinerário, através do caminho francês, em treze etapas perfeitamente delimitadas, cada uma das quais se fazia em vários dias, segundo o ânimo de cada grupo de peregrinos, a uma velocidade média de uns 35 kilometros diários a pé, ou quase o dobro se fosse a cavalo.

Assinala as distâncias entre povoados/povoações, os santuários e os monumentos do trajecto, e inclui observações sobre gastronomia, potabilidade das águas, carácter das gentes e costumes dos povos, assim como um interessantíssimo pequeno vocabulário basco/vasco, sendo este de grande importância, por ser o primeiro testemunho escrito da língua de Euskadi.

No ano de 1139 ou 1140, Aymeric Picaud leva a Santiago de Compostela o Códex Calixtinus, escrito por ele. Este códice foi oferecido, pelos monjes de Cluny ao Papa Calixtu II, falecido em 1124.

Descobrimento dos restos do Apóstolo
segundo o Códex Calixtinus.

No ano 813 desta era, governava então Alfonso II, o Casto (789-842) no reino de Astúria e Carlomagno no ocidente, quando um ermitão, que habitava a longínqua Gaellecia, chamado Pelayo teve uma revelação angélica de que ia ser descoberto o corpo do Apóstolo Santiago. Passados poucos dias, uns pastores advertiram sobre uma luminosidade estranha que irradiava de uma estrela sobre o arvoredo do monte chamado Libradón, de onde mais tarde surgiria Compostela. O sucesso foi comunicado ao bispo Teodomiro da Diocese de Iria Flavia, que mais tarde testemunhou o prodigio e ordenou três dias de jejum.

Começaram a limpar o local sobre o qual brilhava a estrela e descobriram a arca de mármore com os restos mortais que, por uma revelação divina, o bispo atribuiu ao Apóstolo Santiago. Imediatamente comunicam o rei do milagroso achado. O monarca acode com sua corte e manda erigir a primeira igreja dedicada a Santiago, e outras duas dedicadas ao Salvador e a São Pedro e São Paulo, respectivamente. No lugar, e por ordem real, instala-se uma pequena comunidade de Augustinos que constituem o primeiro núcleo do que pouco depois seria Compostela. O próprio rei Alfonso II relata o ocorrido a Carlos Magno e a notícia se propaga com rapidez por toda a Europa.

Até aqui é lenda narrada e popularizada pelo Liber Sancti Jacobi, e que servirá de explicação ao enigma que encerra o descobrimento do corpo de um discípulo de Jesus Cristo nos confins da Península Ibérica no primeiro terço do século IX, quando a invasão muçulmana estava praticamente consolidada e somente os incipientes reinos do norte resistiam a sua dominação. Evento que os investigadores situam perto do ano 830, dentro do reinado de Alfonso II, mas tendo o imperador Carlos Magno já falecido. Fazia falta uma figura que unificasse a luta contra o inimigo comum e que, por sua vez, servisse de respaldo moral a esta importante ação histórica. Assim surge a figura de um Santiago que, de pacífico apóstolo de Cristo se converte em guerreiro, que esmaga com seu cavalo os corpos dos mouros e degola suas cabeças com a espada em punho. Um santo que, segundo a tradição, presidira as mais importantes batalhas da reconquista, ajudando a recuperar o complexo de inferioridade que afligia os povos cristãos. No ano 844, mais precisamente no dia 23 de Maio, nas planícies de Clavijo, a 18 km de Logroño. O Rei Ramiro I de Asturias enfrenta as tropas mulçumanas de Alderramán II em clara vantagem numérica. Entre os sons das espadas e lanças, o Apostolo Santiago surgi montado em um cavalo branco, golpeando a direita e a esquerda ( morisma ). Estes, pouco a pouco, vão recuperando seus domínios e convertem Compostela no principal foco de atração espiritual do reino Astur-leonés. Um fenômeno que com o tempo ultrapassará, em poder de atração, Roma e Jerusalém, tornando-se o maior centro de peregrinações de toda a cristandade.



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Liber Sancti Jacobi
"Codex Calixtinus"
La Traduccíon
http://www.readysoft.es/egb/csantiago/codex.htm